Por Dentro do Poder: primeiras perguntas
Camilo Vanucchi, ex-aluno e jornalista, já levantou várias questões que esse debate pode esclarecer. E você? Vai perder a oportunidade de fazer perguntas para dois renomados jornalistas brasileiros que estiveram em contato direto com o poder nos últimos anos? Deixe suas perguntas nos comentários desse post ou envie para editor@exsanta.com.br.
“Eugênio, o primeiro mandato de Lula começou com uma proposta de criação de um conselho nacional de jornalistas, estranhamente feita pelo governo. Mais ou menos na mesma época, houve a tentativa de se extraditar um jornalista americano que havia feito alusões depreciativas aos hábitos do presidente em uma matéria do New York Times. Agora, no início do mês, veio à baila a proposta, sugerida por Tarso Genro, de se buscarem instrumentos legais que permitam a punição de jornalistas e veículos que publiquem transcrições de grampos obtidos de maneira excusa. Pergunta 1: O governo acerta ao tentar coibir o exercício da imprensa ou essas tentativas são descabidas, uma vez que extrapolam o âmbito de atribuições do governo? Pergunta 2: Você defende que os jornais continuem a publicar transcrições de grampos em todos os casos e que preservem o direito ao sigilo da fonte, ou seja, de manter em anonimato os nomes daqueles que forneceram as gravações ou quaisquer outras informações quentes que, de outro modo, jamais chegariam à mídia?”
“Ricardo, imaginemos que você esteja na assessoria de comunicação da presidência da república e recebesse, na mesma manhã, dois pedidos de entrevista com o Lula sobre o mesmo assunto, um do Ricardo Kotscho e um do Diogo Mainardi, com apenas alguns minutos de intervalo entre um e outro. Quais seriam os procedimentos da equipe nos momentos seguintes? Como é feita a seleção, entre aspas, dos veículos e dos jornalistas que terão prioridade no atendimento, mesmo quando não se trata de uma exclusiva com o homem, mas de obtenção de informações do governo ou entrevistas com outros membros do governo, de segundo ou terceiro escalão? Tiragem da publicação e convicções políticas do jornalista contam pontos nessa triagem?”
“Eugênio, recentemente voltou ao debate o fim da exigência de diploma (ou, talvez mais importante, de registro profissional) para o exercício do trabalho de jornalista. Os críticos da exigência lembram sua origem na ditadura militar - quando se buscou afastar sociólogos, cientistas políticos, historiadores e estudantes dos veículos de comunicação - e alegam que ninguém precisa de fazer uma faculdade para aprender a escrever. Os defensores afirmam que o jornalismo é profissão delicada, com ética e responsabilidade específicas, e que a inabilidade de alguns cursos universitários (que pouco ensinam) não deve ser usada como justificativa para fragilizar ainda mais a profissão e os profissionais. Pergunta: Qual das duas situações é mais benéfica para a sociedade e, se coubesse ao governo essa decisão, em qual das duas ele investiria?”
“Ricardo, existe um axioma, freqüentemente mencionado pelos jornalistas, que diz que imprensa é oposição. Por que isso acontece e o que você acha disso?”
“Eugênio, a informação oficial é veiculada hoje de forma mais imparcial do que antes do governo Lula? O que o faz acreditar nisso?”
“Ricardo, fazer assessoria de imprensa do governo foi muito diferente de fazer a assessoria de uma candidatura, como você já havia feito em ocasiões anteriores? Ou ambas as coisas são feitas da mesma forma, com a mesma intenção de promover a imagem do cliente? Se houve diferenças, como elas foram se mostrando a você a partir do momento da eleição?”

















